Hoje foi dia de princípios. Princípios de design, os oito princípios de cognição de Kosslyn, os cinco princípios do design analítico da informação de Tufte, a teoria da carga cognitiva de Sweller.
Para tornar a aula mais participativa, e dentro de princípios (mais princípios) de andragogia, elaborei dois jogos: o jogo dos princípios e o jogo dos diagramas.
E descobri que fica bem mais fácil e divertido o aprendizado dos princípios quando as pessoas se esforçam para juntar nomes com definições e exemplos, e depois discutir.
Assim como quando recebem um texto para transformar em diagramas.
Saíram-se super bem, e tenho certeza de que muito do que antes era lero lero com bullet points em suas apresentações, amanhã será um lindo e eficiente diagrama.
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terça-feira, 16 de agosto de 2016
quarta-feira, 13 de julho de 2016
Coerência de luz e sombra
Duas semanas atrás, uma colega veio me mostrar um padrão que havia desenvolvido para um relatório gerencial. Ela me perguntou o que achava, porque iria reformular o visual do documento, e queria ouvir minha opinião. Fiz uma análise e enviei a ela por escrito.
Ontem, ela já estava animada com o novo visual. Seguindo apenas algumas sugestões, a colega fez um relatório muito elegante.
Mas ficou um pequeno problema, que é o assunto desta postagem. Ela optou por usar um efeito de preenchimento radial. Aplicou o efeito a todos os gráficos, e notei um detalhe que me incomodou bastante. Era um gráfico de barras empilhadas (embora na horizontal a gente não empilhe nada), como o abaixo.
Ontem, ela já estava animada com o novo visual. Seguindo apenas algumas sugestões, a colega fez um relatório muito elegante.
Mas ficou um pequeno problema, que é o assunto desta postagem. Ela optou por usar um efeito de preenchimento radial. Aplicou o efeito a todos os gráficos, e notei um detalhe que me incomodou bastante. Era um gráfico de barras empilhadas (embora na horizontal a gente não empilhe nada), como o abaixo.
Dá pra notar o problema? Na série Diurno, a luz vem do canto superior esquerdo. Na série Noturno, do lado oposto. Ocorre que estamos acostumados a perceber esquemas de luz e sombra associados ao que percebemos na natureza. Como só temos um Sol, só deveria haver uma origem da luz no slide.
Vejam agora o slide ajustado. A luz vem do mesmo lado. Não fica melhor?
terça-feira, 5 de julho de 2016
Jogo dos princípios: Contraste
Já vimos os princípios Proximidade, Alinhamento e Repetição. Chegou a vez do Contraste. Continuando com o cartão de nossa querida Madame Ju, que tudo pode e tudo resolve, vamos agora temperar um pouco o panfleto.
Como tudo o que a gente faz em design tem um objetivo de comunicação, resolvi que o problema de Madame Ju é que ela quer ser conhecida e encontrada. Ninguém pode confundir seu nome, e todos devem poder achá-la com facilidade.
Assim, tornamos ainda mais constrastantes as informações nome e contatos. Para o nome, resolvi aumentar, aumentar e ainda negritar. Como sou educada e não grito, negrito. Taí: não grite, negrite. O efeito é o mesmo. Mas sem aquele mal estar de quando gritam com a gente, né...
E o contato, esse ganhou um contraste mais forte ainda: deixei o fundo cinza e o texto vazado. Ah, e incluí aquele ícone clássico de localização, aquele que todo mundo conhece.
Fácil de desenhar: são dois círculos. Preencha um com preto. O outro preencha com cinza. O preto fica atrás (organizar/recuar ou formatar/recuar/enviar para trás ou recuar). Alinhe na vertical e na horizontal. Selecione o preto. Vá em Formatar, editar forma, editar pontos. Puxe o pontinho de baixo. Agrupe os dois círculos e seu ícone está pronto.
Bom, se você fosse fazer o mesmo exercício com um panfleto, poderia testar outras formas de aplicar os princípios? Se tiver dificuldade, aqui vai a dica: pesquise, pesquise, pesquise. No mundo nada se cria, tudo se copia? Que pobreza. Não é isso. É outra coisa. A gente se inspira vendo o trabalho de outros, vendo o caminho que os outros escolheram nos seus processos criativos. A internet está aí pra isso.
Espero que você não se esqueça desses quatro princípios básicos do design, repita comigo:
Proximidade, Alinhamento, Repetição, Contraste.
Como tudo o que a gente faz em design tem um objetivo de comunicação, resolvi que o problema de Madame Ju é que ela quer ser conhecida e encontrada. Ninguém pode confundir seu nome, e todos devem poder achá-la com facilidade.
Assim, tornamos ainda mais constrastantes as informações nome e contatos. Para o nome, resolvi aumentar, aumentar e ainda negritar. Como sou educada e não grito, negrito. Taí: não grite, negrite. O efeito é o mesmo. Mas sem aquele mal estar de quando gritam com a gente, né...
E o contato, esse ganhou um contraste mais forte ainda: deixei o fundo cinza e o texto vazado. Ah, e incluí aquele ícone clássico de localização, aquele que todo mundo conhece.
Fácil de desenhar: são dois círculos. Preencha um com preto. O outro preencha com cinza. O preto fica atrás (organizar/recuar ou formatar/recuar/enviar para trás ou recuar). Alinhe na vertical e na horizontal. Selecione o preto. Vá em Formatar, editar forma, editar pontos. Puxe o pontinho de baixo. Agrupe os dois círculos e seu ícone está pronto.
Bom, se você fosse fazer o mesmo exercício com um panfleto, poderia testar outras formas de aplicar os princípios? Se tiver dificuldade, aqui vai a dica: pesquise, pesquise, pesquise. No mundo nada se cria, tudo se copia? Que pobreza. Não é isso. É outra coisa. A gente se inspira vendo o trabalho de outros, vendo o caminho que os outros escolheram nos seus processos criativos. A internet está aí pra isso.
Espero que você não se esqueça desses quatro princípios básicos do design, repita comigo:
Proximidade, Alinhamento, Repetição, Contraste.
segunda-feira, 4 de julho de 2016
Jogo dos princípios: Repetição
No nosso panfleto de Madame Ju, já aplicamos os princípios da Proximidade, aproximando as informações por tipo, e do Alinhamento, usando um alinhamento à direita.
Hoje vamos aplicar o princípio da Repetição. Segundo Kosslyn, o que é igual deve parecer igual. Assim, utilizei dois recursos visuais para aplicar o princípio (bastaria um recurso, usei dois para efeito de demonstração). A escolha do recurso vai da percepção e da linha criativa de cada designer. Usei um pouco recursos de tipografia, em conjunto com a inclusão de formas.
Tipografia: como o panfleto original já utilizava duas famílias tipográficas diferentes, optei por preservar isso e não incluir mais nenhuma. Ah, façam isso em suas apresentações, por favor: nunca usem mais do que duas famílias tipográficas. O ideal é usar somente uma! Mas nesse caso, deixei apenas o nome da cigana diferente. Para sobressair do restante das informações. A fonte aí é Amienne. Notem que é uma fonte mais desenhada, sinuosa, bem diferente da outra que contém as demais informações, que é a Franklin Gothic.
Agora começa a brincadeira: como diferenciar os tipos de informação com a mesma família de fontes? Bom, a gente tem vários recursos no PowerPoint (e em outros programas ainda mais) pra fazer isso. Pra começar, itálico (vejam ali o que ela faz: cartas, búzios e tarô; traz a pessoa amada. Tudo em itálico). Normal (vejam ali os contatos). E um recurso bem interessante, que dá um belo destaque: brincar com o espaçamento entre letras. Notem que usei em "cigana" e "vidente".
Note que esse recurso de espaçamento entre caracteres, ou entre letras, a gente não deve usar com frases. Porque dificulta a leitura, justamente por as letras estarem muito distantes. O ideal é usar somente em uma palavra.
Agora às formas. Escolhi linhas e círculos. Lá em cima, alinhando ao nome da cigana, Ju, inseri dois círculos com bordas pontilhadas, bem suaves. No meio do cartão, um círculo minúsculo ligado por uma linha horizontal, ou fio, também pontilhado. Esse fio é sangrado na imagem, para dar a ideia que vem de fora e chega no cartão, pela esquerda, justamente nos poderes da cigana. é um bom recurso para direcionar o olhar. E neste caso, é como se chamasse o leitor "vem pra cá, vem, que vou resolver este problema".
Finalmente, um fio cheio porém muito fino delimita o cartão de fora a fora, e distingue o bloco final de informações, os contatos da cigana.
Esse é apenas um pequeno e rápido exemplo para demonstrar a aplicação do princípio da repetição, para dar uma ideia de uso de recursos visuais para isso.
Repetindo: você pode usar cor, gradação de cinzas, imagens, bullets, setas, retículas, bold, outras formas, enfim, há uma gama enorme de recursos para aplicar o princípio da Repetição.
Hoje vamos aplicar o princípio da Repetição. Segundo Kosslyn, o que é igual deve parecer igual. Assim, utilizei dois recursos visuais para aplicar o princípio (bastaria um recurso, usei dois para efeito de demonstração). A escolha do recurso vai da percepção e da linha criativa de cada designer. Usei um pouco recursos de tipografia, em conjunto com a inclusão de formas.
Tipografia: como o panfleto original já utilizava duas famílias tipográficas diferentes, optei por preservar isso e não incluir mais nenhuma. Ah, façam isso em suas apresentações, por favor: nunca usem mais do que duas famílias tipográficas. O ideal é usar somente uma! Mas nesse caso, deixei apenas o nome da cigana diferente. Para sobressair do restante das informações. A fonte aí é Amienne. Notem que é uma fonte mais desenhada, sinuosa, bem diferente da outra que contém as demais informações, que é a Franklin Gothic.
Agora começa a brincadeira: como diferenciar os tipos de informação com a mesma família de fontes? Bom, a gente tem vários recursos no PowerPoint (e em outros programas ainda mais) pra fazer isso. Pra começar, itálico (vejam ali o que ela faz: cartas, búzios e tarô; traz a pessoa amada. Tudo em itálico). Normal (vejam ali os contatos). E um recurso bem interessante, que dá um belo destaque: brincar com o espaçamento entre letras. Notem que usei em "cigana" e "vidente".
Note que esse recurso de espaçamento entre caracteres, ou entre letras, a gente não deve usar com frases. Porque dificulta a leitura, justamente por as letras estarem muito distantes. O ideal é usar somente em uma palavra.
Agora às formas. Escolhi linhas e círculos. Lá em cima, alinhando ao nome da cigana, Ju, inseri dois círculos com bordas pontilhadas, bem suaves. No meio do cartão, um círculo minúsculo ligado por uma linha horizontal, ou fio, também pontilhado. Esse fio é sangrado na imagem, para dar a ideia que vem de fora e chega no cartão, pela esquerda, justamente nos poderes da cigana. é um bom recurso para direcionar o olhar. E neste caso, é como se chamasse o leitor "vem pra cá, vem, que vou resolver este problema".
Finalmente, um fio cheio porém muito fino delimita o cartão de fora a fora, e distingue o bloco final de informações, os contatos da cigana.
Esse é apenas um pequeno e rápido exemplo para demonstrar a aplicação do princípio da repetição, para dar uma ideia de uso de recursos visuais para isso.
Repetindo: você pode usar cor, gradação de cinzas, imagens, bullets, setas, retículas, bold, outras formas, enfim, há uma gama enorme de recursos para aplicar o princípio da Repetição.
sexta-feira, 1 de julho de 2016
Jogo dos princípios: Alinhamento
Em continuação ao jogo dos princípios, hoje vou aplicar o princípio Alinhamento ao mesmo panfleto de Madame Ju, nossa cigana-vidente.
No post anterior, usei apenas o princípio da Proximidade, aproximando os conteúdos do panfleto que são relacionados, por tipo.
Agora, vamos pegar o panfleto apresentado após essa aproximação, e aplicar o princípio do alinhamento.
Vocês vão perguntar: mas antes não estava alinhado? Sim, estava, e já era suficiente para que o leitor percebesse a hierarquia e a lógica das informações, e encontrar com facilidade os contatos de Madame Ju para trazer sua amada de volta, como cantava Evandro Mesquita.
Mas notem que, quando a gente adota um alinhamento diferente do centralizado, por exemplo, o à direita, o design ganha um certo toque de ousadia. Fica diferente, provoca uma olhadinha só porque está fora do "normalzinho que se vê por aí".
Então quer dizer que se eu alinhar todos os meus slides à direita, meu design vai ser diferenciado? Opa, calma aí. Notem que se trata de um panfleto, tem pouco texto. Imaginem ler uma página de livro inteira, na qual seu olhar vai procurar o ponto de começo de cada linha de texto ao longo de toda a página. Coitado do leitor.
É preciso analisar a quantidade de informação, o vínculo que uma informação tem com a outra, e a rapidez que se espera na leitura (legibilidade).
O que não dá pra fazer é ficar mudando de alinhamento "só pra variar". Posso ter dois alinhamentos diferentes? Claro, desde que esses dois alinhamentos sejam adotados com algum critério que ajude o leitor a perceber melhor a informação. Lembrando que o design é uma ferramenta para melhorar a usabilidade de um produto. Nesse caso, um produto visual, gráfico, para tela ou impressão. Orientar o olhar para direcioná-lo ao que interessa. Essa pode ser a grande função do design. Se o cara olhar o que interessa, quem sabe ele contrata o serviço. Se nem isso você consegue que seu design faça, melhor nem produzir folhetos, afinal, eles irão para o lixo.
No post anterior, usei apenas o princípio da Proximidade, aproximando os conteúdos do panfleto que são relacionados, por tipo.
Agora, vamos pegar o panfleto apresentado após essa aproximação, e aplicar o princípio do alinhamento.
Vocês vão perguntar: mas antes não estava alinhado? Sim, estava, e já era suficiente para que o leitor percebesse a hierarquia e a lógica das informações, e encontrar com facilidade os contatos de Madame Ju para trazer sua amada de volta, como cantava Evandro Mesquita.
Mas notem que, quando a gente adota um alinhamento diferente do centralizado, por exemplo, o à direita, o design ganha um certo toque de ousadia. Fica diferente, provoca uma olhadinha só porque está fora do "normalzinho que se vê por aí".
Então quer dizer que se eu alinhar todos os meus slides à direita, meu design vai ser diferenciado? Opa, calma aí. Notem que se trata de um panfleto, tem pouco texto. Imaginem ler uma página de livro inteira, na qual seu olhar vai procurar o ponto de começo de cada linha de texto ao longo de toda a página. Coitado do leitor.
É preciso analisar a quantidade de informação, o vínculo que uma informação tem com a outra, e a rapidez que se espera na leitura (legibilidade).
O que não dá pra fazer é ficar mudando de alinhamento "só pra variar". Posso ter dois alinhamentos diferentes? Claro, desde que esses dois alinhamentos sejam adotados com algum critério que ajude o leitor a perceber melhor a informação. Lembrando que o design é uma ferramenta para melhorar a usabilidade de um produto. Nesse caso, um produto visual, gráfico, para tela ou impressão. Orientar o olhar para direcioná-lo ao que interessa. Essa pode ser a grande função do design. Se o cara olhar o que interessa, quem sabe ele contrata o serviço. Se nem isso você consegue que seu design faça, melhor nem produzir folhetos, afinal, eles irão para o lixo.
quarta-feira, 29 de junho de 2016
Jogo dos Princípios: Proximidade
Desenvolvi um pequeno exercíco para uso em sala de aula, se chama jogo dos princípios. Por enquanto, o jogo é apenas para os quatro princípios de design que considero básicos e relevantes para qualquer peça visual. Proximidade, alinhamento, repetição e contraste.
No meu jogo, inventei uma cigana-vidente chamada Madame Ju, que não sabe o que é cacofonia. Um dia, Madame Ju deixou um panfleto no para-brisas do meu carro, e resolvi usar esse panfleto para explicar os princípios básicos de design.
O panfleto original, mostrado à esquerda, mantinha todos os itens distribuídos ao longo do papel. Isso é muito comum. As pessoas acham que devem ocupar todos os espaços em branco. As pessoas também costumam jogar todas as informações sem nenhum critério de organização de conteúdo. Jogam como vão se lembrando. No entanto, observem que o simples agrupamento dos elementos de mesmo tipo de informação já facilita a percepção e a leitura.
Aplicando-se o princípio da proximidade, que diz que tudo o que se relaciona deve estar próximo, organizei as informações em blocos por tipo: quem, o que, onde. Distribuí os blocos de informação no fundo branco e usei o espaço em branco para orientar a leitura.
No meu jogo, inventei uma cigana-vidente chamada Madame Ju, que não sabe o que é cacofonia. Um dia, Madame Ju deixou um panfleto no para-brisas do meu carro, e resolvi usar esse panfleto para explicar os princípios básicos de design.
O panfleto original, mostrado à esquerda, mantinha todos os itens distribuídos ao longo do papel. Isso é muito comum. As pessoas acham que devem ocupar todos os espaços em branco. As pessoas também costumam jogar todas as informações sem nenhum critério de organização de conteúdo. Jogam como vão se lembrando. No entanto, observem que o simples agrupamento dos elementos de mesmo tipo de informação já facilita a percepção e a leitura.
Aplicando-se o princípio da proximidade, que diz que tudo o que se relaciona deve estar próximo, organizei as informações em blocos por tipo: quem, o que, onde. Distribuí os blocos de informação no fundo branco e usei o espaço em branco para orientar a leitura.
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